Panorama da Aquicultura Chilena

Ao participar da última ExpoPESCA ‘96 realizada na acolhedora Santiago do Chile, em novembro último, a Panorama da AQÜICULTURA teve a oportunidade de constatar de perto o importante avanço que vem conquistando a aqüicultura praticada naquele país. Na ocasião, foi formalizado um intercâmbio editorial entre a Aquanoticias Internacional, revista editada pela Technopress S.A., empresa integrada pela Fundação Chile e Editec Ltda e, a Panorama da AQÜICULTURA. A seguir um panorama da aqüicultura chilena, um exemplo de determinação na exploração racional dos recursos hídrobiológicos.

Em 1995, a exportação de 103.680 toneladas de produtos gerados pela aqüicultura chilena foi responsável pelo aporte de 550 milhões de dólares em divisas, o que representou 31% das exportações do setor pesqueiro e 5,8% do total das exportações chilenas. Para quem em 1988 exportou somente 34 milhões de dólares, trata-se de uma crescimento espetacular, ainda mais se considerarmos que em 1995 todos os países latino-americanos produziram juntos 650 mil toneladas. É importante lembrar que estas cifras significam também mais de 17 mil empregos diretos e quase 30 mil indiretos entre fornecedores de matérias primas e insumos para o desenvolvimento do setor.

Com tudo isso, fica difícil escolher um adjetivo para qualificar esta bem sucedida atividade que nas décadas de 60 e 70 foi apoiada por diversas instituições nacionais e internacionais, que sobretudo, incentivaram o aporte do capital privado que confiou num futuro diferente para o Chile.

A estrutura do setor é composta em quase toda a sua totalidade por empresas privadas, chilenas e estrangeiras, submetidos a um regime tributário e jurídico sem distinção da origem do capital. A gama de espécies cultivadas é ampla (mais de 20), a maioria exótica, principalmente peixes salmonídeos, introduzidos no Chile em diversos momentos de sua história. As condições ambientais são propícias e caracterizam-se pela disponibilidade de extensas zonas marinhas costeiras, lacustres e fluviais, em grande parte livres de contaminações e enfermidades virais. Associado a isso, a disponibilidade de farinhas de pescado de qualidade superior, compõem um cenário onde atuam cerca de 840 empresas autorizadas.

Apesar da aqüicultura chilena englobar uma série de outros cultivos, alguns dos quais em fase de produção intensiva, cabe a salmonicultura o papel de principal protagonista na economia aqüícola chilena. Essa indústria, que foi iniciada no início da década de 80 e não fazem mais do que dez anos já produzia 8.600 toneladas anuais, superou em 1995 as 141.000 toneladas brutas, tornando possível a exportação de 95.735 toneladas, avaliadas em 489 milhões de dólares.

Atualmente existem no Chile cerca de 90 empresas que se dedicam ao cultivo de salmonídeos, somando um total de 4.712 hectares de áreas de engorda. A indústria centra seu cultivo em cinco espécies de peixes das quais quatro são salmões do Pacífico: salmão coho (Oncorhynchus kisutch), salmão rei (O. tschawytscha), salmão cereja (O. massou) e a truta arco-íris (O. mykiss) e o salmão do Atlântico, Salmo salar. Em 1995, foram produzidos 54.250 t de salmão do Atlântico, 44.037 t de salmão coho e 42.719 t de trutas.

Além dos salmonídeos, destacam-se o cultivo de moluscos (ostras e mexilhões) que correspondem a 1,2% da produção aqüícola e as algas, responsáveis por 4,2% desse total.