Perspectivas do Camarão Marinho na Região Sul

Autores: W.Q. Seiffert, Derner,R.B. e E.R. Andreatta


O cultivo de camarões marinhos no Brasil tem sua origem na metade da década de 70 e devido a importação de tecnologia e espécies inadequadas ao país, a atividade não expandiu. Em meados da década de 90, com os resultados obtidos através da introdução da espécie exótica Penaeus vannamei no nordeste do país, a carcinocultura marinha no Brasil entrou em fase de consolidação. Paralelamente, cultivos experimentais com as espécies nativas P. schmitti, P. subtilis e P. paulensis foram realizados nas regiões nordeste e sul. No entanto, devido a problemas relacionados a ausência de dietas adequadas às espécies nativas, os cultivos de P. vannamei se apresentaram mais promissores.


Visando o desenvolvimento da atividade e considerando a grande disponibilidade de áreas propícias ao cultivo e as diferenças climáticas existentes entre as regiões norte e sul, de clima tropical a sub-tropical respectivamente, investimentos governamentais propiciaram a implantação de centros de pesquisas no país. Dentre estes, o Laboratório de Camarões Marinhos da Universidade Federal de Santa Catarina, vem se destacando pelo desenvolvimento de tecnologia para produção de pós-larvas, cultivo de espécies nativas e repovoamento de lagoas costeiras.

Região Sul

A atividade na região sul é caracterizada por pequenos empreendimentos de cultivo semi-intensivo com as espécies P. paulensis e P. schmitti e, pelos projetos de repovoamento em lagoas costeiras, visando incrementar a captura nestes ambientes.

Um dos maiores problemas enfrentados pelos empreendimentos da região sul é a ausência de uma dieta específica para as espécies nativas. No entanto, cultivos realizados com o P. vannamei no verão de 1998, trouxeram uma expectativa positiva para o desenvolvimento da atividade no sul.

Os resultados preliminares foram bastante promissores, obtendo-se em cultivos de 70 dias, à densidades de povoamento de 12 camarões/m2 uma produtividade de 1000 kg/ha e uma conversão alimentar de 1:1. Além disso, a possibilidade de realização de dois ciclos de cultivo por ano (o primeiro de outubro à janeiro e o segundo de janeiro a abril), demonstrou que o P. vannamei pode ser uma alternativa ao cultivo das espécies nativas.

Pesquisa

Devido a esse fato e com o objetivo de estudar sua adaptação às condições ambientais do sul do Brasil durante as distintas etapas de cultivo (larvicultura, pré-bercários e viveiros), o Laboratório de Camarões da UFSC, iniciou em março deste ano uma pesquisa dos procedimentos pertinentes à introdução desta espécie na região.

A partir de abril, após os excelentes resultados com a larvicultura, o Laboratório manteve parte das larvas produzidas nas suas instalações para posteriores estudos (sobrevivência à baixas temperaturas, formação de banco de reprodutores e cultivos em gaiola) e, em conjunto com duas empresas camaroneiras e uma instituição de pesquisa, iniciou quatro cultivos semi-intensivos no município de Paranaguá- PR, três cultivos semi-intensivos em Cananéia – SP e um cultivo em gaiola no Rio de Janeiro – RJ.

Os resultados preliminares obtidos com o P. vannamei pela UFSC e pela Empresa Camaroneira Borges de Paranaguá, apontam para a possibilidade do cultivo desta espécie na região sul, podendo viabilizar economicamente as empresas camaroneiras da região. Uma vez estabelecida e fortalecida a indústria camaroneira, o interesse e os investimentos necessários à execução de pesquisas nutricionais com as espécies nativas irão integrar o caminho do desenvolvimento da atividade no sul do país.

Potencial

Dentre as regiões que se apresentam como potenciais ao cultivo de camarões marinhos no sul do Brasil, principalmente devido às suas condições climáticas e ampla área em estuários, encontramos a região do complexo lagunar sul (Lagoas de Santo Antônio, Imaruí, e Mirim). Localizado ao sul de Santa Catarina, abrange os municípios de Laguna, Imbituba, Jaguaruna e Imaruí. Entre os municípios de Laguna e Jaguaruna, destaca-se uma área de produção de arroz irrigado estimada em 8.000 ha, que está localizada numa região sob a influência de maré em proximidade com a Lagoa do Camacho. Nesta região, também são encontradas áreas propícias a implementação de sistema de cultivos não convencionais, tais como o cultivo em cercos e o cultivo em gaiolas.