Pesquisa revela o perfil da larvicultura brasileira de camarões marinhos

De 27 a 29 de agosto último, a ABCC – Associação Brasileira dos Criadores de Camarão, reuniu em Natal, grande parte dos seus associados, para a sua III Reunião Técnica.

Na ocasião, Ana Carolina Guerrelha, uma das proprietárias da Aquatec Ltda., apresentou os resultados da pesquisa realizada pela ABCC para conhecer mais de perto a situação dos laboratórios de produção de pós-larvas ou hatcheries, que operam no Brasil. A pesquisa revelou com clareza o perfil do cultivo de pós-larvas, já que dos 16 laboratórios existentes (quadro 1), 14 deles responderam às perguntas enviadas pela Associação.

A pesquisa mostrou (quadro 2) que a produção de pós-larvas de camarões marinhos em 1997 cresceu vertiginosamente (106%) com relação a ano anterior, refletindo a expansão que a carcinicultura marinha está experimentando. Apesar de já ter produzido este ano 1,3 bilhões de pós-larvas, os laboratórios brasileiros ainda estão longe de alcançar suas capacidades máximas de produção, 2,2 bilhões de pós-larvas anuais, somente com suas instalações atuais. Curiosamente, entretanto, na ocasião do evento onde os dados estavam sendo apresentados, havia uma demanda não atendida de 120 milhões de pós-larvas, em decorrência das dificuldades que uma única empresa, a Aquatec Ltda., principal produtora de pós-larvas, estava encontrando para obter reprodutores.

 

A pesquisa revelou entretanto (quadro 3), que as empresas produtoras de pós-larvas estão se voltando para a formação de seus próprios plantéis de reprodutores, na tentativa de acabar com esses problemas de escassez e ainda baixar os seus custos de produção, eliminando as despesas com a importação de plantéis do camarão Penaeus vannamei, a espécie mais utilizada atualmente.

O quadro 4 mostra a avaliação das estruturas de maturação desses laboratórios, com detalhes do manejo. São ao todo 185 tanques de maturação com taxas diárias de acasalamento que variam de 2 a 10%.

Existem ao todo 295 tanques de larvicultura (quadro 5), com volumes que variam de 5 a 60 m3, somando 4.860 m3 de incubação de larvas, cujas densidades finais de pós-larvas variam de 25 a 72 por litro, com ciclos que variam de 18 a 22 dias.

No quadro 6, a pesquisa revela as microalgas mais utilizadas pelas empresas e os principais meios de cultura onde são cultivadas. Revela ainda que atualmente existem 634 m3 de tanques destinados ao cultivo em massa de algas com volumes que variam de 300 a 10.000 litros.

O uso da Artemia (quadro 7) também fez parte da pesquisa das hatcheries e revela que os cistos de Artemia utilizados pela indústria brasileira de produção de pós-larvas de camarões tem rendimentos que variam de 120.000 a 250.000 náuplios por grama de cisto, com taxas de eclosão que variam de 70 a 90%.

As principais dificuldades para manter a constância da produção foram avaliadas através de um escore de pontos, sendo os problemas relacionados com a qualidade da água o principal deles (quadro 8). Curiosamente, a pesquisa da ABCC revelou que, apesar de serem constatadas 17 doenças ou agentes causadores de enfermidades que afetam as diferentes fases do cultivo (quadro 9), esse tema ocupa o quinto lugar na liste de dificuldades relacionadas para manter a constância da produção.

Quadro8