Pesquisadores contestam intenção de unir Instituto de Pesca com Instituto de Zootecnia

Circula desde 9 de março, uma carta aberta endereçada à cadeia produtiva paulista do pescado e a toda comunidade científica. Nela, pesquisadores e técnicos do Instituto de Pesca (IP), protestam contra a possível fusão com o Instituto de Zootecnia (IZ), uma instituição nos mesmos moldes, mas voltada para as demais cadeias produtivas animais no estado. Segundo os pesquisadores, o que está sendo proposto é a “extinção” das duas instituições com a consequente alocação das suas atribuições para uma nova instituição a ser criada. A ideia partiu da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, e está sendo conduzida pelo antigo Diretor do IP e atual diretor do IZ, Luiz Marques da Silva Ayroza. A justificativa para tais mudanças seria uma suposta economia dos recursos públicos.

Ainda segundo o documento, 85% dos funcionários do Pesca são contrários à proposta por considerarem que a fusão das duas instituições resultará em prejuízo aos serviços prestados às comunidades pesqueiras tradicionais, empresas de pesca e aquicultura, pesca amadora, órgãos de pesquisa e da administração pública, que têm no Instituto de Pesca o principal interlocutor junto aos demais órgãos e instâncias gestoras dessas atividades.

Explicam ainda que a aderência entre as temáticas de trabalho do Instituto de Pesca com as do Instituto de Zootecnia é apenas aparente, já que a pesca e a aquicultura apresentam especificidades que as afastam de outras formas de produção animal, um fato que pode ser demonstrado pela inexistência, mesmo em países de grande eficiência científica e tecnológica, de instituições de pesquisa e inovação que agreguem as cadeias de produção animal terrestre e aquática.

Mesmo acreditando que o momento atual seja oportuno para mudanças, pesquisadores e técnicos acreditam que estas não podem e nem devem desestruturar os serviços de excelência prestados por estas instituições aos setores produtivos.

Sobre a principal justificativa para a mudança, os pesquisadores do Instituto de Pesca sustentam que a criação de uma nova instituição não proporcionará uma economia efetiva e consistente de recursos públicos, pois a proposta resume-se a uma redução pouco expressiva de cargos de direção, além da consequente centralização administrativa, que sobrecarregará o fluxo burocrático, causando o risco de não atendimento às demandas sociais. Desta forma acreditam que a proposta não proporcionará maior eficiência à produção científica e tecnológica pois mantém a mesma lógica de distribuição das unidades e dos fluxos de processos, sem aplicar conceitos inovadores às linhas de pesquisa e à gestão como um todo.

Até o fechamento desta edição, nenhum comunicado oficial havia sido publicado para tornar efetivas as mudanças envolvendo a fusão das instituições.