PIRAPITINGA

Nativo da Região Amazônica, a pirapitinga (antes Colossoma bidens e agora chamada de Piaractus brachypomus) é um dos peixes cujas características inspiram maiores estudos quanto ao seu potencial para piscicultura. Assim como o tambaqui (Colossoma macropomum), ela possui grandes molares e poderosas mandíbulas capazes de triturar as sementes mais duras da floresta.

Durante a época das águas, a pirapitinga faz incursões pela floresta submergida em busca de frutos e folhas. Sua preferência é pelo fruto da palmeira jauari (Astrocaryon jauary), embora coma também os frutos do abio, assaí, fava, cabaçarana, marajá e piranheira.

Num estudo realizado pelo pesquisador Michael Goulding, descobriu-se que na época das cheias 98% do conteúdo estomacal de pirapitingas constituía-se de sementes. Na época da seca, quando ela se encontrava restrita aos rios, lagos e canais, 83% do conteúdo estomacal era composto por folhas, principalmente de capim (Paspalum repens). A época das cheias coincide com a frutificação de muitas plantas na Amazônia e os peixes são responsáveis em parte pela dispersão das sementes.

A pirapitinga tem cor azul-aço, pode pesar até 20 kg e alcançar 85 cm de comprimento total. E o segundo maior peixe de escamas, depois do tambaqui.

A pirapitinga foi cultivada no Nordeste em bases de piscicultura do DNOCS. Em 1985 a Aquatec Ltda. trouxe algumas centenas de alevinos para a Fazenda Santa Maria, em Barra do Piraí, RJ. Os alevinos foram cultivados em consórcio com o tambaqui, apresentando bons resultados, comparando-se com este no crescimento e superando-o na rusticidade. Hoje, sob a direção do húngaro Mihaly Wittmann, a JR Piscicultura em Itaocara, busca a produção de alevinos partindo dessas matrizes.

Um fato importante: a carne da Pirapitinga é deliciosa.