Piscicultura no combate à fome na África

A declaração final da cúpula “Peixe para Todos”, que ocorreu em final de agosto último, em Abuja, capital da Nigéria, recomendou que a África deverá aplicar uma agressiva política de promoção da piscicultura para combater de forma eficaz a fome no continente.

A Declaração de Abuja – um documento com 14 pontos – foi adotada na capital nigeriana, após quatro dias de debates em plenários e reuniões de comitês técnicos de 10 países africanos, representantes de agências pesqueiras, instituições financeiras internacionais e organizações não-governamentais.
Segundo o presidente nigeriano, Olusegun Obasanjo, fortalecer a cooperação na área da piscicultura é um “grande desafio” para os líderes africanos que estudam como a África pode alcançar as Metas do Milênio até 2015. Além disso, o documento recomenda o apoio à preservação do meio ambiente e à piscicultura em pequena, média e grande escala, de forma compatível ao uso racional dos recursos hídricos.

Com 138 milhões de habitantes e PIB de US$ 71,3 bilhões, a Nigéria é considerado um mercado consumidor potencial. Entre 2000 e 2004, o Produto Interno Bruto do país cresceu 4,8%, configurando-se como o quarto maior do continente. República presidencialista, o país conquistou recentemente estabilidade política e macroeconômica, mas ainda existem desafios: alto índice de analfabetismo (30% da população), baixa expectativa de vida (50,4 anos), ainda pouca credibilidade internacional e infra-estrutura precária.

A Declaração de Abuja foi emitida no momento em que a indústria pesqueira e a piscicultura na África passam por uma crise, por conta do uso excessivo dos recursos e da falta de investimentos. Segundo o WorldFish Center, a piscicultura se desenvolveu de forma “explosiva” em outras regiões, e atualmente é responsável por 38% de toda a produção mundial de pescado, mas na África as criações de peixes geram apenas 2% do pescado consumido.