Policultivo da Capiatã

Onde se produz camarões também se colhe tilápias


Dezembro de 1992 marcou o inicio da história do cultivo da tilápias na Capiatã Comércio e Exportação, hoje a maior empresa produtora de camarões de água doce do Brasil.

Assessorada por técnicos israelenses, que sempre estimularam o policultivo de camarões com tilápias, a empresa importou de Israel tilápias híbridas que já naquele ano chegaram a ocupar, em mono e policultivo, 14 hectares da fazenda ou 30% da área então sob produção.

Os primeiros resultados obtidos foram animadores em contraste com as dificuldades de comercialização que a empresa encontrou na ocasião, no mercado de Maceió.

Para então alavancar o novo produto recém chegado ao mercado, uma estratégia importante de marketing passou a ser utilizada pela Capiatã. Partindo de estudos de mercado junto a população consumidora, a empresa concluiu que o nome tilápia estava associado a um peixe de pequeno porte e desvalorizado. Numa bem sucedida manobra de marketing, a popular tilápia foi rebatizada com o nome de Nilótica e ganhando também uma embalagem personalizada.

Atualmente a empresa está produzindo 3 t/mês de Nilótica, quantidades insuficientes para atender a cidade de Maceió, por enquanto o único mercado em que a empresa se dedica na comercialização do produto.

CAMARÕES

A produção de camarões da Malásia – Macrobrachium rosenberggii, entretanto, ocupa o lugar de destaque nas prioridades da empresa que hoje produz em média 20 t/mês em seus 70 hectares de viveiros, além das 3,3 milhões de pós-larvas que saem mensalmente dos laboratórios, quase que exclusivamente para consumo próprio.

A criação das tilápias nilóticas que atualmente está presente em 50 ha desses viveiros, em policultivo com o camarão, é decorrência das estratégias utilizadas pela Capiatã na criação dos crustáceos, engordados em três ciclos anuais.

ALEVINAGEM E ENGORDA

A produção de alevinos da Capiatã é feita em tanques de alvenaria de 200 m2 onde 600 reprodutores por vez são acondicionados na proporção de 3 fêmeas para um macho.

Após 15 dias, quando já é abundante o número de larvas presentes nesses tanques, os reprodutores são retirados para dar inicio aos manejos visando a reversão sexual com a utilização de alimento contendo hormônio. Neste processo a empresa vem obtendo um percentual de machos que se situa entre 95 e 98%.

As larvas revertidas são então transferidas para viveiros de alevinagem onde são estocadas na densidade de 60 a 100 mil por hectare durante 3 meses.

Nos viveiros de engorda da Capiatã, que medem 5.000 m2 cada, são estocados de 50.000 a 75.000 pós-larvas de camarões e 300 a 500 juvenis de tilápia para um período de engorda de aproximadamente 4 meses, durante os quais são feitas despescas seletivas de camarões e eventuais fêmeas de tilápia.

Ao término do período de engorda, todos os peixes e camarões são despescados e levados juntos, vivos, para as instalações de processamento onde são lavados, selecionados, filetados ou apenas eviscerados, antes de serem congelados em túnel de amônia.

NILÓTICA CAPIATÃ

Segundo Francisco Vital, gerente comercial e administrativo da Capiatã, atualmente, das 3 toneladas mensais de Nilóticas que a empresa produz, 30% são peixes classificados como tamanho A (400 a 500 g), 50% são do tamanho B (média de 300 g) e 20% são do tipo C (média de 150 g).

Toda a produção de peixes tamanho A é filetada, congelada e vendida a R$ 10,00/kg. Os peixes de tamanho B e C são vendidos eviscerados e congelados a R$ 2,50 e R$ 2,00, respectivamente.

A Nilótica Capiatã é totalmente comercializada na butique da empresa no bairro do Farol na capital alagoana em embalagens plásticas com o certificado do Serviço de Inspeção Federal – SIF.

Para os próximos anos, os planos de empresa, que hoje opera com 76 funcionários, são de elevar a produção atual, ao patamar de 6 toneladas por mês, quantidade ainda muito aquém das reais possibilidade de produção. Sobre isso, Francisco Vital esclarece que, para aumentar ainda mais a produtividade, seria preciso investimentos e mudanças que poderiam interferir na produção atual de camarões, fato que não desperta o interesse da diretoria, já que o mercado para os crustáceos nunca esteve tão bom como agora. Vital acrescentou também que os viveiros da Capiatã foram construídos para o cultivo de camarões, não estando adaptados para a ação das tilápias nos fundos dos viveiros. A intensificação da produção agravaria esta situação e aumentaria os custos de produção em decorrência da manutenção passaria a ser mais constante.

E por falar em investimento, no momento a Capiatã está envolvida, e assustada, com os custos da importação de novas matrizes reprodutoras. Essa preocupação se justifica, pois o preço de cada reprodutor vindo de Israel é de US$ 24.00 – F.O.B. e a intenção inicial é importar 1400 peixes.