Porto na Espanha vende resíduos de pescado para a indústria farmacêutica e cosmética

O porto pesqueiro de O Berbes, localizado em Vigo, na Espanha, considerado o maior porto da Europa em termos de descarga de pescado fresco, e um dos maiores do mundo em termos de pescado congelado, vende atualmente cinco toneladas diárias de resíduos de pescado para as indústrias farmacêutica e cosmética, gerando cerca de € 1.200 diários ou aproximadamente € 346.000 anuais.
Nos dias de atividade pesqueira são produzidas em O Berbes cerca de nove toneladas diárias de resíduos de pescado, das quais cinco toneladas são aproveitadas para usos farmacológicos, enquanto que as quatro toneladas restantes se destinam à produção de farinha de peixe, ou são encaminhadas diretamente para o lixo. Das cinco toneladas recicladas, apenas uma tonelada é convertida em resíduo seco, já que o restante é constituído por água. O recolhimento desses resíduos é feito pela empresa Carsogal.

De acordo com um jornal galego, de todo o pescado que entra no porto de O Berbes, somente 60% são comercializados enquanto os 40% restantes é composto por resíduos.

Dos olhos do peixe espada e do tubarão, por exemplo, é extraído o ácido hialurônico, que além de caríssimo, possui uso clínico, farmacêutico e veterinário, e serve para a regeneração de tecidos macios e de mucosas. O ácido hialurônico é muito caro e utilizado para infiltrações em jogadores de futebol de elite ou em cavalos de alta competição. Além disso, dessas e de outras espécies, são obtidos colágenos, óleos enriquecidos em ácidos graxos poliinsaturados, enzimas, gelatinas, ensilados e meios de cultivo microbiológicos.

Segundo Carlos Losada, chefe do Departamento de Exploração Pesqueira da Autoridade Portuária de Vigo, o projeto de recolhimento dos resíduos, contou de imediato com a colaboração dos armadores de pesca que dispuseram câmaras frigoríficas especiais para que o produto não se deteriorasse, congelando os resíduos, para que estes não perdessem suas propriedades, e separando papéis e plásticos que muitas vezes vêm aderidos. Até pouco tempo atrás, a maioria dos dejetos reutilizáveis se destinava à produção de farinha de pescado, ou eram encaminhados para algumas pisciculturas ou mesmo destruídos. A partir de agora, esses dejetos passam a ter um aproveitamento industrial, gerando receita extra próxima de € 350 mil anuais, além de também ser economizado o valor referente aos custos com o transporte para a destruição dos resíduos.