Processadores de Tilápia se Associam para Ocupar o mercado

Um importante elo da cadeia produtiva da tilápia acaba de dar um passo decisivo e pode colocar atilapicultura brasileira nos trilhos da perenização. Foi fundada em Londrina – PR, no dia 25 de outubro último, a AB-Tilápia – Associação Brasileira da Indústria de Processamento de Tilápia, fruto da união de 24 empresas processadoras, que atenderam ao chamado de Carlos Roberto Floriani, idealizador e responsável pelo convincente convite, que acabou por atrair a quase totalidade das empresas dedicadas ao processamento de tilápias com inspeção federal (SIF) e estadual (SIE). A AB-Tilápia tem como objetivo principal a ampliação do mercado interno e externo da tilápia processada. Para isso, diz, Floriani, “não podemos nos espelhar na indústria da pesca extrativa, onde todo mundo chuta pra todo lado e ninguém pensa positivamente, nem tampouco coletivamente”. Floriani, que também assumiu por unanimidade a primeira presidência da AB-Tilápia, diz que a associação nasceu com o apoio não só das 24 processadoras presentes em Londrina, mas das 27 empresas mapeadas, que se encontram atualmente em funcionamento e também das 8 que se encontram em fase de conclusão ou aprovação das plantas junto ao DIPOA.

Antes de se dedicar ao processamento da tilápia na sua planta de 600 m2, localizada em Ilhota – SC, Floriani, que é natural de Brusque – SC, trabalhou por muitos anos nas principais empresas distribuidoras de pescados e conhece, como poucos, os problemas relacionados à sua comercialização. Falando aos presentes em Londrina, destacou as vantagens da aqüicultura na sua capacidade de produzir de forma programada, acabando de vez com as incertezas que a pesca oferece a quem dela depende.

Floriani fez questão de lembrar que “em 1970, o consumo per capita de aves era de apenas 2,3 kg. Na mesma época, o consumo estimado de pescado era de 4 a 5 kg/per capita, a segunda carne mais consumida, depois da carne bovina. Três décadas se passaram e em 2002 o quadro mudou radicalmente. O consumo de frango passou para 33,8 kg/per capita, logo atrás da carne bovina, cujo consumo passou para 35,8 kg/per capita. Em terceiro lugar vem a carne suína com 13,8 kg/per capita e, num distante quarto lugar vêm os pescados, com apenas 6,5 kg/per capita.

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Associação Marketeira

O sucesso do frango é simples de explicar, diz o empresário: resume-se apenas na organização do setor e acesso à novas tecnologias. Mas, como explicar a crise do setor pesqueiro? Floriani lembra que o segundo lugar no consumo, em 1970, era apoiado pela fartura de sardinha que inundava todo o Brasil, principalmente a Região Nordeste, com peixe barato e de qualidade. Hoje, nem mesmo com a sardinha o país pode contar. De cada três sardinhas numa lata, duas são importadas, diz o empresário. “O grande esforço de pesca, aplicado em cima das reservas naturais, acima da capacidade reprodutiva da natureza, interferiu na cadeia e eliminou algumas espécies do mercado. Hoje somos grandes importadores de filé de peixe do Uruguai, Argentina, Chile, Espanha, Alemanha, Holanda, Dinamarca, Coréia e etc. O grande esforço de captura fez com que o peixe tenha ficado escasso, o que aumentou o custo de captura. O resultado é que o peixe deixou de ser a opção de carne mais barata na mesa do consumidor, principalmente no de baixa renda” arrematou.

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Alcançar os níveis do consumo do frango e da carne bovina é muito difícil, até porque existe um quadro muito complicado na pesca extrativa. Mas com a ajuda da aqüicultura, diz Floriani, certamente teremos condições de aumentar o consumo per capita de pescados no Brasil. E enfatiza: “mesmo cientes de que também teremos que enfrentar um problema cultural relacionado ao consumo de pescados, o que pretendemos com a AB-Tilápia é criar mecanismos para fomentar este consumo. Somos uma associação “marketeira”.

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Previsões 2004

A AB-Tilápia identificou 27 indústrias processando tilápias no Brasil, 18 delas com SIF e 9 com SIE (tabelas 1 a 4), quase todas instaladas nas Regiões Sudeste e Sul, já mostrando a necessidade da criação de plantas processadores no Nordeste e Centro-oeste do País, regiões com um enorme potencial produtivo. Ainda dando os seus primeiros passos, a AB-Tilápia já fez seu primeiro levantamento das indústrias, uma medida importantíssima para que se possa avaliar se as metas previstas serão alcançadas. Os números, ainda que incompletos, já que se referem somente às indústrias representadas na reunião de fundação da AB-Tilápia em Londrina, podem ser vistos na tabela 5 e prevêem um processamento de 16 mil toneladas para o final do próximo ano, um aumento de 45,5% em relação às 11 mil toneladas previstas para serem processadas até o final deste ano. Segundo o mesmo levantamento, o setor de beneficiamento da tilápia será também responsável, em 2004, pela geração de 3.550 empregos, diretos e indiretos.

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Além do presidente Carlos Roberto Floriani, da Agropecuária Floriani Ltda., a recém empossada diretoria é composta também por Bruno Maset Filho da empresa Tilápia do Brasil Indústria de Pescados de Aqüicultura Ltda. e Daniel Bertoncin da Indústria e Comércio de Pescado Arapongas Ltda.. Os contatos com a AB-Tilápia podem ser feitos através do e-mail: [email protected]