Produtos das macroalgas marinhas

O biólogo carioca Miguel C. Sepúlveda Jr., 25 anos, acaba de retornar do Chile onde passou os três últimos anos trabalhando no Balneário de Caldera, no Deserto do Atacama. Nesta cidade, oito cultivos são responsáveis pela produção de 400 toneladas/mês de Gracilarias secas. Desse total, 20% é processado no Chile e 80% é exportado para ser processado nos EUA e Japão. Com sua experiência, Miguel nos fala dos produtos que poder ser obtidos à partir das macroalgas.

As macroalgas marinhas como todas as plantas, dependem da energia solar, anidrido carbônico e minerais para sobreviverem. Seus principais constituintes orgânicos são os carboidratos, proteínas, ácidos graxos, pigmentos, esteróis e vitaminas, todos eles formados à partir da fotossíntese. As macroalgas marinhas estão divididas em 3 grupos distintos: Chlorophyta (algas verdes), Phaeophyta (algas pardas) e Rhodophyta (algas vermelhas)

Em vários países no mundo, as macroalgas marinhas são utilizadas como matéria prima nas indústrias para a extração de alginatos (em algas pardas), agar-agar e carragenana (em algas vermelhas) e, em menor grau, como alimento e medicamentos (algas verdes, pardas e vermelhas).

ALGINATOS

Os processos de industrialização de algas pardas tem como principal objetivo a extração do ácido algínico ou alginatos em sais de sódio, potássio, cálcio, magnésio, entre outros. Tais componentes possuem diversos e múltiplos usos segundo o seu grau de pureza, e podem ser empregados nos mais variados processos industriais, farmacêuticos e de elaboração de alimentos devido a suas propriedades tais como: agente emulsificante, gelificante, formador de películas, floculante, estabilizante, controlador de espuma, fixador de perfumes, clarificador de vinhos, adesivos, etc.

Em geral, se pode dizer que o ácido algínico é uma membrana mucilagenosa das algas pardas e o têrmo alginato se refere aos sais do ácido algínico. A quantidade de ácido algínico das algas pardas varia de uma espécie a outra. Em todo mundo são elaborados mais de 100 alginatos específicos, para usos determinados, sendo feitas também misturas de diferentes alginatos com a variedade de produtos que se se incrementa a cada dia.

AGAR – AGAR

O agar-agar, a exemplo dos alginatos, é extraído da parede celular das algas vermelhas. Esta substância gelatinosa e transparente é utilizada nas indústrias farmacêutica, alimentícia e laboratórios, sendo também é usado como gel emulsificante em: shampoo, sabonete, cremes (cosméticos em geral), cápsulas de remédio, sorvetes , gelatinas, culturas de bactérias, próteses dentárias, etc.

DROGAS MEDICINAIS

A utilização de algas marinhas com propósitos medicinais remonta a 2.700 a.c. com as primeiras informações sobre a utilização de algas na medicina chinesa e as recentes descobertas têm ampliado significativamente a importância dessas plantas para a saúde humana e, além da China, diversos países asiáticos fazem o uso medicinal das algas. As algas verdes (Chlorophytas) são utilizadas como antibióticos, vermífugos, cicratizantes, doenças na pele, etc. As algas vermelhas (Rhodophyta) são utilizadas no tratamento de resfriados, tumores, anticoagulante, anti-helmíntico, etc. As algas pardas (Phaeophyta) são utilizadas também nos tratamentos de obesidade , reumatismo, úlcera gástrica, bócio, diminuição de colesterol no sangue, etc.

ALIMENTO

Vários países utilizam espécies de macroalgas marinhas em seus hábitos alimentares devido ao seu alto potencial em vitaminas e sais minerais. Países como o Japão, EUA, Chile, França, China, Taiwan, entre outros, possuem em seu cardápio espécies de algas pardas e verdes usadas em sopas, saladas, doces etc….

BRASIL

luminária macroalgas 15

Atualmente os países mais importantes em cultivos e utilização das macroalgas marinhas à nível industrial são os EUA, Japão, China, Chile, França, Taiwan, sendo as algas mais importantes as pardas (Gênero Laminaria) utilizadas no processo de extração de alginatos e as algas vermelhas (Gênero Gracilaria) utilizadas no processo de extração de agar-agar e carragenana.

No Brasil, apenas 2 indústrias operam na produção de agar-agar à partir de 2 ou 3 espécies do Gênero Gracilaria, sendo uma bem caracterizada (Hypnea musciformis), procedentes da costa nordeste do país. O rendimento é relativamente baixo e a qualidade do produto é ainda variável. Estes problemas têm gerado e incentivado vários projetos de pesquisa em cultivo de macroalgas marinhas, porém com pouco sucesso.

Deste modo, ainda não existe no Brasil, um sistema implantado para o cultivo de algas marinhas em escala comercial. Vários estudos tem sido realizados, os quais têm fornecido alternativas para a implantação de cultivos no Brasil, tais como a aplicação de fertilizantes, a seleção de linhagens especiais ou a implantação de espécies exóticas.

De uma maneira geral os estudos sobre o cultivo de macroalgas marinhas, iniciam-se em laboratórios onde são feitos estudos ecofisiológicos da espécie para a seleção de linhagens especiais (cepas selecionadas) que, posteriormente, são levadas ao mar para estudos sobre o comportamento no meio-ambiente visando o melhor rendimento no cultivo.

Muitas baias e enseadas nos 8.000 km de litoral estão disponíveis para o início do cultivo, principalmente na costa dos estados do Nordeste e do Espírito Santo e, até lá, os recursos naturais continuarão sendo explorados e comprometidos com a extração das algas vermelhas de algumas regiões do Nordeste para a extração de agar-agar.