Projeto Garoupa

Universidade catarinense desenvolve pesquisa com a engorda de garoupas verdadeiras em tanques-rede

Uma pesquisa iniciada em março de 1996, com estudo de populações naturais da garoupa Epinephelus marginatus, no município de Barra do Sul, norte de Santa Catarina, deu início ao hoje “Projeto Garoupa”.

Popularmente conhecida como a “garoupa verdadeira”, a Epinephelus marginatus (= guaza) tem sido analisada pela equipe do coordenador do Projeto, Maurício Hostim-Silva da UNIVALI – Universidade do Vale do Itajaí – SC, com apoio da Faculdade de Ciências do Mar – FACIMAR e com auxílio da Engepesca Ltda., que implantou um tanque-rede na Estação Experimental de Maricultura da FACIMAR – UNIVALI, no município de Penha – SC.

As primeiras pesquisas como esse peixe foram realizadas em 1984 por Eduardo Fagundes Netto e Daniel Benetti em Arraial do Cabo – RJ, com tanques de cimento cujas análises sobre o crescimento e perspectivas de cultivo da “garoupa verdadeira” tem servido de referência para a nova pesquisa de Hostim-Silva, que mantém confinados 30 exemplares jovens de Epinephelus marginatus. com 15 a 25 cm, em um volume de 27 metros cúbicos. Os testes iniciais em aquários experimentais sugeriram a metodologia hoje utilizada no tanque-rede, com tubos de PVC pretos simulando tocas.

O Projeto analisa o crescimento das garoupas, que tem sido satisfatório e espera-se que exemplares de 200 g não ultrapassem 18 meses para atingirem o peso comercial. Visando evitar o estresse, estão sendo utilizados para o experimento exemplares retirados da mesma área em que está instalado o tanque-rede, onde são abundantes os exemplares juvenis. Por tratar-se de uma área de cultivo de mexilhões e que também é caracterizada pela pesca artesanal, os técnicos do projeto consideram a possibilidade de virem a testar o policultivo com os moluscos, aproveitando ainda os rejeitos da pesca.

A alimentação, testada com sardinhas, manjubas, corvinas, lulas e mexilhões tem sido oferecida em horários diversos, mas já se observou que os alimentos são melhor aceitos se servidos no lusco-fusco. Na etapa atual do Projeto, a equipe está observando a biometria e a pesagem de exemplares individualizados e marcados.

A princípio a densidade está bem baixa, com um exemplar por metro cúbico, sendo todos os exemplares fêmeas juvenis. A “garoupa verdadeira” tem se mostrado um animal fácil de trabalhar, não exibindo agressividade nem territorialismo no experimento, tendo sido encontrado até quatro garoupas juntas na mesma toca artificial. Segundo Hostim-Silva, o experimento não teve quaisquer problemas com doenças até o momento e a equipe que pretende estudar futuramente a reprodução dessa espécie, se coloca a disposição de todos que quiserem trocar experiências ou dar sugestões. e-mail: [email protected]