Rã-touro

Uma espécie que não deve ser comercializada como isca viva


Vender a rã-touro, Rana catesbeiana, como isca viva para pesca de dourados e outros peixes carnívoros, pode ser um grave crime ambiental e quem alerta é o biólogo Ricardo Y. Tsukamoto, da empresa Bioconsult. Notícias repercutidas recentemente através da grande imprensa paulista, mostraram que as iscas de juvenis vivos de rãs-touro são extremamente eficazes na captura de peixes carnívoros, já sendo comercializadas na região de Ribeirão Preto por R$ 0,25 a unidade. As rãs são vendidas com cerca de um mês de vida, assim que absorvem a cauda da fase de imago.

Tsukamoto pondera que, por ser muito rústica e de grande porte, tal espécie é extremamente nociva às espécies nativas de anfíbios e lembra que se juvenis desta rã forem espalhados pelas bacias dos grandes rios do Brasil, onde são pescados os peixes carnívoros, em pouco tempo muitos de nossos anfíbios nativos estarão condenados à extinção. Com o desaparecimento destes anfíbios, outras espécies serão afetadas, como insetos, peixes, etc. “As mudanças ambientais que vêm ocorrendo em todo o mundo já estão provocando a extinção de numerosas espécies de anfíbios, os quais são bem mais sensíveis do que os peixes” diz Tsukamoto, complementando que a rã-touro pode ter um efeito deletério dezenas de vezes mais drástico e rápido do que aquelas mudanças ambientais, pois ela atua tanto como competidora quanto como predadora das outras espécies, inclusive de peixes forrageiros. Para o biólogo, só se deveria permitir a venda de juvenis de rã como isca viva, se a espécie pertencer à bacia onde será usada, ou se for de uma espécie de baixo impacto ambiental. Isso abriria, inclusive, o mercado para produção de muitas espécies nativas de rãs e pererecas em cativeiro. Tsukamoto lembra que há espécies com ciclo muito rápido que seriam melhores para o mercado de isca viva do que a rã-touro, e que só não são cultivadas, por não poderem competir com o ganho de peso desta rã para o mercado de carne para consumo.