Ranicultura:

Cooperativa Desenvolve Produto para Futura Colocação no Mercado 


Em recente reunião no Rio de Janeiro, nove proprietários de abatedouros de rãs concluíram que, apesar de novos produtos estarem sendo desenvolvidos, a colocação dos mesmos no mercado somente ocorrerá, na melhor das hipóteses, no final de 2.000, pois faltam recursos para investimentos. 

Os estudos para a definição dos processos tecnológicos da fabricação de alguns produtos estão avançados, entre eles os catgutes ou fio cirúrgico, a pele usada como curativo biológico para queimados e o óleo para cosméticos. Entre os produtos comestíveis, estão ainda em fase de testes sensoriais para um breve pré-lançamento em algumas regiões, os nuggets, croquetes, hambúrgueres e o patê de carne, produtos “elaborados” ou “semi-prontos” feitos a partir da parte superior da carcaça (costelas e braços). Como resultado da colocação destes produtos no mercado, será possível uma melhor comercialização da coxa, que poderá ser vendida em embalagens especiais, para atender uma antiga expectativa do consumidor efetivo.

Um dos objetivos da reunião, promovida pelo Proderan – Programa do Desenvolvimento Tecnológico da Ranicultura, foi estimular a formação de parcerias entre os proprietários de abatedouros e outros setores da cadeia produtiva da ranicultura e, desta forma, duas empresas distribuidoras de pescados presentes à reunião manifestaram-se interessadas na comercialização dos produtos, apesar de nenhum acordo ter sido ainda formalizado.

Ficou claro, porém, a tendência de alta no preço da carne da rã no mercado interno, pois dos nove proprietários presentes, três já estão exportando para o Mercosul, a preços que variam de 10 a 15 dólares o quilo. Tais valores desestimulam a colocação interna do produto, cuja produção, por outro lado, deve crescer, pois, segundo Samuel Lopes Lima, coordenador do Proderan, falta produto para atender a demanda.

Ao término do encontro foi agendada outra rodada de negociações para final de março e, daqui até lá, os trabalhos continuarão através do comitê de padronização e controle de qualidade nas indústrias de abate de rãs, visando a padronização do processo de abate, com o treinamento do pessoal operacional, gerentes e vendedores. Deverá ser elaborado também até março, um anteprojeto para a definição de uma estratégia de marketing, visando a obtenção de recursos para sua implementação.

COOPERCRÃMMA

No dia seguinte ao encontro, todos os nove representantes da indústria de abate de rãs participaram do “Painel sobre comercialização dos produtos da ranicultura”, organizado pela Secretaria de Estado de Agricultura, Abastecimento, Pesca e Desenvolvimento do Interior do Estado do Rio de Janeiro. Na ocasião, foram apresentados os resultados iniciais da parceria entre a empresa White Martins Gases Industriais S.A. e a Coopercrãmma – Cooperativa dos Criadores de Rã de Cachoeira de Macacu, Magé e Adjacências, onde atualmente 30 produtores rurais associados produzem quatro toneladas mensais de rãs vivas.

Através da Gerência Financeira e de Negócios da White Martins, os associados da Coopercrãmma estão tendo a oportunidade de melhorar sua forma de organização ao terem acesso a novas técnicas de gestão empresarial. Segundo Marcus Canto, gerente da White Martins, a parceria da empresa se dá a partir do entendimento da cadeia produtiva dos clientes, ou mesmo dos clientes do cliente, para que possam ser propostas soluções completas, que poderão ser tecnológicas e/ou financeira, abrindo caminhos de acesso aos agentes financiadores da produção. Via de regra, segundo Marcus Canto, os setores do agribusiness, a exceção de grandes empresas como a Sadia, Parmalat ou Perdigão, sofrem de problemas crônicos de organização com uma produção dispersa e sem escala. A quase inexistência de processamento, faz com que os produtos in natura deixem o produtor aflito para se ver livre da sua produção antes que ela se deteriore, o que faz com que o atingimento do mercado fique nas mãos dos atravessadores.

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Embalagem experimental dos croquetes, nuggets e nuggets light que estão sendo desenvolvidas pela coopercrãmma 

Desta forma, inovações no processo de abate estão sendo trazidas pela White Martins para o abatedouro da Coopercrãmma, que deve ficar pronto ainda no primeiro semestre de 2000. Todos o afluentes e efluentes serão tratados com ozônio (O3) e as rãs, antes de serem abatidas, sofrerão um processo de atordoamento através de CO2, processo este que está recebendo uma certificação da Universidade Federal Fluminense. A empresa fornecerá ainda os gases para o congelamento que poderá ser o nitrogênio líquido ou o CO2.

Mas, mesmo não estando ainda concluído o seu abatedouro, os empanados de rãs da cooperativa já andam fazendo sucesso. Segundo Izolda Martins Viriato, presidente da Coopercrãmma, para adiantar o processo de lançamento do novo produto para o mercado consumidor, foi encomendado à EMBRAPA o desenvolvimento de uma formulação para croquetes e nuggets de rãs, incluindo uma versão light. Já de posse dessas formulações a Coopercrãmma solicitou então ao ITAL – Instituto de Tecnologia de Alimentos, em Campinas, a elaboração final dos empanados, bem como a sua apresentação industrial. O resultado foi degustado e aprovado pelos participantes do Painel realizado no Rio de Janeiro, ocasião que também foi apresentado um estudo de embalagem, que recebeu um tratamento diferenciado (ilustração) para quebrar a barreira psicológica existente que dificulta para muitos o consumo da rã.