Rede de Aquicultura das Américas conta com adesão de 20 países

Representantes dos 20 países reunidos em Brasília para a criação  da Rede de Aquicultura das Américas. Foto: Ueslei Marcelino
Representantes dos 20 países reunidos em Brasília para a criação  da Rede de Aquicultura das Américas. Foto: Ueslei Marcelino

No dia 24 de março, com o apoio da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) delegados de 20 países do continente americano reunidos em Brasília, aprovaram a criação da Rede de Aquicultura das Américas (RAA). São eles: Argentina, Bolívia, Brasil, Belize, Canadá, Cuba, Costa Rica, Colômbia, El Salvador, Equador, Guatemala, Guiana Francesa, Haiti, México, Peru, Paraguai, Panamá, República Dominicana, Trinidad e Tobago e Uruguai.

Segundo o estatuto da RAA, que pode ser encontrado no site da instituição www.racua.org, a Rede foi criada para “contribuir para o desenvolvimento sustentável e equitativo da aquicultura, através da cooperação regional dos países da América, enfatizando os aspectos sociais, econômicos, científicos, tecnológicos e ambientais”. Dessa forma, é esperado que a RAA tenha uma atuação no continente americano nos moldes da Rede de Centros de Aquicultura na Ásia e Pacífico – NACA (ver Box).
O Secretário de Planejamento e Ordenamento da Aquicultura do MPA, Felipe Matias, foi escolhido para ocupar a Secretaria Executiva da RAA, e seu entusiasmo foi decisivo para que a Rede fosse efetivamente criada, após mais de 30 anos de tentativas. Segundo Matias, na escolha do Brasil para ser a sede da RAA, pesou o fato do país ter implantado uma política sólida de acesso às águas da União para o cultivo de pescado. A sua expectativa é que, com a criação da Rede, se multipliquem as ações para o crescimento da produção de pescado via aquicultura familiar em todo o continente americano, já que essa é uma das prioridades da Rede, além das descobertas das oportunidades de mercado para os produtos da aquicultura. Com a criação da Rede, disse Matias, muitos países do continente americano que necessitam de tecnologia para desenvolver o seu potencial aquícola poderão agora ter o acesso de que necessitavam para obtê-la.

Secretário de Planejamento e Ordenamento da Aquicultura do MPA, Felipe Matias, durante a reunião da Rede de Aquicultura das Américas. Foto: Ueslei Marcelino
Secretário de Planejamento e Ordenamento da Aquicultura do MPA, Felipe Matias, durante a reunião da Rede de Aquicultura das Américas. Foto: Ueslei Marcelino

O ministro da pesca e aquicultura, Altemir Gregolin, anfitrião do encontro dos delegados estrangeiros, foi eleito presidente da Rede de Aquicultura das Américas para os próximos quatro anos. Gregolin explicou que a instituição permitirá uma maior troca de informações em temas como sanidade, legislação pesqueira, apoio à produção e incentivo ao consumo de pescado. O ministro garantiu ainda, que o Brasil já se comprometeu com investimentos de US$ 1 milhão nos próximos anos para a entidade.

A idéia, disse o ministro, é fomentar programas de troca de tecnologia, a fim de que os países-membros possam compartilhar suas experiências.
O representante regional da FAO para América Latina e Caribe, José Graziano da Silva, presente na solenidade de criação da RAA, lembrou que todas as aspirações para se produzir pescado de forma sustentável devem ser bem vindas e incentivadas. Segundo José Graziano, “de tudo que consumimos talvez o peixe seja o único item que ainda é capturado na sua forma mais primitiva, como exatamente faziam os nossos ancestrais na época neolítica. A aquicultura ajuda na tentativa de reverter a pressão sobre determinados recursos naturais renováveis, e gera um alimento de excelente qualidade, associado a saúde. Plantar peixes, pode aliviar a pressão sobre ecossistemas sensíveis como a Amazônia e o Pantanal”, concluiu Graziano.

NACA (www.enaca.org) é uma organização intergovernamental que promove o desenvolvimento rural sustentável através da aquicultura. Fazem parte dessa organização: Austrália, Bangladesh, Camboja, China, Hong Kong, Índia, Indonésia, Irã, Coréia do Sul, Laos, Malásia, Myanmar, Nepal, Paquistão, Filipinas, Sri Lanka, Tailândia e Vietnã. O seu principal objetivo é melhorar a renda rural, aumentar a produção de alimentos, o comércio internacional e a diversificação da produção nas propriedades rurais através da aquicultura. A NACA promove a capacitação através da educação e do treinamento, a pesquisa colaborativa e o desenvolvimento através de redes ligando os centros de pesquisa e as pessoas envolvidas. Estabelece ainda as diretrizes da política do setor, e apóia as políticas institucionais de capacitação, sanidade, genética e biodiversidade. A NACA realiza projetos de ajuda ao desenvolvimento em toda a região, em parceria com governos, fundações doadoras, agências de fomento, universidades e organizações não-governamentais e de produtores. Entre os parceiros da NACA estão a FAO, Banco Asiático de Desenvolvimento, Banco Mundial, OIE (Organização Mundial de Saúde Animal), União Européia, ICLARM, SEAFDEC, IFREMER, NORAD, Instituto Asiático de Tecnologia, WWF, entre outros.