Sementes de mexilhão de Bombinhas já são provenientes de coletores

As comunidades de produtores de mexilhão de Bombinhas e de Praia de Fora, em Santa Catarina, já não dependem mais dos costões. Agora, para darem início aos seus cultivos, utilizam as sementes provenientes de centenas de coletores por eles espalhados. Segundo o professor Jaime Fernando Ferreira, do Laboratório de Cultivo de Moluscos Marinhos da UFSC, isso é uma tendência da mitilicultura e já era esperado.

A dificuldade para se obter sementes fez com que a produção de mexilhão diminuísse muito, causando perdas de tempo e dinheiro aos mitilicultores. Foi aí que começaram a investir na tecnologia dos coletores. As comunidades que investiram nessa prática há mais tempo, já não dependem mais dos costões e utilizam todo tipo possível de coletor: cordas especiais, não especiais, coletor canadense da Blue Water (foto), redes trançadas, cabos do espinhel enrolado com rede monofilamento, além de um coletor fabricado pela Mazzaferro, que já está sendo utilizado experimentalmente.

Segundo Jaime Ferreira, o produtor que não está usando coletores não tem conseguido bons resultados nos últimos dois anos. No entanto, as cordas utilizadas nos cultivos fazem também o papel dos coletores e têm contribuído bastante para o abastecimento das sementes, a ponto de se esperar que, para 2005, a produção catarinense volte a alcançar as 12 mil toneladas já conquistadas anteriormente.

Muito se fala da ação dos mitilicultores num suposto processo de degradação dos costões, diz o professor. Entretanto, as três análises de costão feitas nos últimos 10 ou 12 anos não apontam para uma diminuição significativa dos mexilhões nesse ecossistema, a não ser em pontos muito particulares como em Penha, por exemplo. Ainda segundo Jaime Ferreira, o que gerou as acusações contra os produtores não foi a degradação, e sim o fato de que alguns catadores e mitilicultores coletaram sementes em locais proibidos, como parques e reservas. Agora, com o uso sistemático dos coletores, todos esses problemas passarão, em breve, a fazer parte do passado, complementa o professor.