Surubim-do-Paraiba já pode ser reproduzido

Após dez anos de pesquisa, a Cesp – Companhia Energética de São Paulo, conseguiu reproduzir o surubim-do-paraíba Steindachneridion parahybae, um peixe de couro que foi praticamente eliminado pelos dourados e pela poluição. Segundo matéria publicada no Suplemento Agrícola do Jornal O Estado de S. Paulo, a Cesp não mediu esforços para conseguir exemplares de reprodutores e, para isso, utilizou até uma campanha na TV para pedir aos pescadores que entregassem vivos, na Estação de Hidrobiologia de Paraibuna, os exemplares adultos encontrados.

Foram também firmados convênios com ONGs da Bacia do Paraíba, do Rio e de Minas Gerais, a fim de se conseguir surubins com variação de DNA, com o objetivo de se evitar a consangüinidade e tornar viável a preservação da espécie. Segundo o biólogo Danilo Canechaneppele, o surubim-do-paraíba, um gênero diferente do surubim amazônico, só existe na bacia do Rio Paraíba do Sul, e seu couro é claro, branco na barriga e com pequenas manchas negras redondas no resto do corpo.

Até 1945 era considerado o peixe mais nobre da bacia, até que foi introduzido o dourado. Cinco anos depois, os pescadores perceberam a redução da captura do surubim e da piabanha. A Cesp domina a técnica de reprodução da piabanha, mas o surubim transformou-se num grave problema para os especialistas que utilizaram hormônio na reprodução induzida. Os alevinos foram alimentados com larvas de crustáceos e de lambari e, posteriormente com ração comercial, com 45% de proteína.

A Cesp agora monitora a taxa de conversão alimentar para estabelecer qual o peso ideal para comercialização, possivelmente em torno de três quilos, já que o peixe pode atingir sete quilos.