Tanques-rede para pescadores artesanais

Tambaqui cresce bem em tanque-rede em Rondônia e pode ajudar a atenuar o impacto causado pela construção de hidroelétrica de Samuel

 

As Centrais Elétricas do Norte do Brasil – Eletronorte, em parceria com a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental de Rondônia – Sedam, Prefeitura Municipal de Candeias do Jamari e, Colônia de Pescadores Z-6 de Candeias do Jamari, implantaram um projeto para cultivar tambaqui em tanques-rede no rio Candeias, com o objetivo de produzir alimento para atender as necessidades das famílias de pescadores ribeirinhos, reduzir a pressão sobre os estoques pesqueiros e dar alternativas econômicas para as populações tradicionais. A tecnologia utilizada foi testada com sucesso em projeto piloto implantado desde 1998.

O esforço voltado para a produção de peixes é uma contrapartida ambiental da Eletronorte para minimizar os impactos da construção da Usina Hidrelétrica de Samuel (UHE) e, assim, apoiar os pescadores ribeirinhos e seus familiares do município de Candeias do Jamari, que enfrentam dificuldades em alimentar seus familiares, em decorrência da baixa produtividade de pescado da bacia hidrográfica do rio Candeias. De acordo com o engenheiro Fernando Manuel Fernandes da Fonseca, Gerente Regional da Eletronorte no Estado de Rondônia, a criação de peixes em tanques-rede beneficia os usuários do setor pesqueiro dos municípios do entorno do Reservatório da Usina Hidrelétrica Samuel, na medida que contribui para reduzir a pressão sobre os estoques pesqueiros. Além disso, complementa Fonseca, os tanques-rede possibilitam um aumento na oferta de pescado na região, gerando emprego e distribuição de renda para as comunidades carentes.

Os tanques-rede

Os tanques-rede utilizados no rio Candeias medem cada um 3 x 3 x 2 m de profundidade, com um volume individual de 18 m³. É feito de arame galvanizado revestido com PVC, com malha de 2 cm, resistente ao ataque de carnívoros, como jacarés, lontras, ariranhas, botos, peixes e outros predadores. São montados em estruturas flutuantes (módulos) de 15 m de comprimento e 43,5 m de largura, com uma área útil de 1.305m², construídos em madeira, com flutuadores de tambores plásticos de 200 litros, inflados com 5 libras de ar. Cada um desses módulos de tanques-rede são instalados em pontos estratégicos do rio.

O povoamento inicial é feito com tambaquis de 15 gramas e 2,5 centímetros de comprimento, numa densidade de 50 peixes por metro cúbico. No manejo adotado, os juvenis são alimentados nos três primeiros meses com ração extrusada contendo 32% de proteína bruta. A partir dai, na fase de crescimento, o teor protéico cai para 28%. Dez meses depois são despecados com peso médio de 1,3 quilos e 32,5 centimetos de comprimento médio, com conversão alimentar de 1,6:1. A produtividade obtida em setembro último foi de 64,35 kg de pescado/m3.

Para Antônio de Almeida Sobrinho, engenheiro de pesca responsável técnico pela execução do projeto, os empreendimentos hoje instalados estão programados para produzir 51 toneladas de tambaqui a cada 15 meses de cultivo. Da renda líquida, 70% foram distribuídos em partes iguais para os participantes do consórcio e os 30% restantes foram destinados ao re-investimento no projeto. “Se podemos produzir essa quantidade de pescado por metro cúbico de água na Amazônia, não se justifica que o pescador artesanal passe fome”, sustenta o engenheiro de pesca Antônio de Almeida Sobrinho, que não demonstra dúvidas ao afirmar que “a criação de peixes em tanques-rede é o caminho mais curto para se erradicar a fome no Brasil”.

O sucesso do empreendimento levou a Sedam a implantar nos municípios de Guajará-Mirim e Costa Marques, mais dois projetos de unidades produtivas comunitárias para criação de tambaqui em tanques-rede, que irão beneficiar os pescadores ribeirinhos destes municípios. Para isso, o Ministério da Integração Nacional acaba de liberar R$ 450 mil. A expectativa é que venham a produzir 102 toneladas, no período de 15 meses de cultivo.