Tilápia no Paraná

Foto: Vista das instalações de processamento da Pisces, em Bragantina – PR

Novos hábitos alimentares; Novas opções no campo


A região Oeste do Paraná, que tem se destacado no cenário da aqüicultura nacional pela organização dos produtores em associações, possui certamente a maior densidade de aqüicultores por unidade de área do Brasil e, por conta disso, tem servido de modelo para aqüicultores de todos os estados que para lá se encaminham à procura de informações e experiências.

A estrela absoluta desse espetáculo de toneladas diárias de peixes processados é a tilápia nilótica, consumida largamente nos municípios da região por um número cada vez maior de fãs. Em torno da tilápia crescem as famílias voltadas para a cultura aqüícola que se tornou uma importante opção produtiva na região, outrora restrita a avicultura, a suinocultura e a lavoura de soja e milho.

Para se ter uma idéia, diariamente 3,5 toneladas de tilápias vivas são processadas em apenas dois dos frigoríficos situados na região. Os resultados positivos da Indústria de Pescados e Derivados da AQUIOPAR – Associação dos Aqüicultores do Oeste do Paraná, localizada em Palotina, e da Pisces Indústria e Comércio de Produtos Derivados da Aqüicultura, localizada no município de Bragantina, estimulam a concorrência e trazem para o consumidor final todos os benefícios dela provenientes.

PISCES

A Pisces, a primeira indústria da região a ser montada com essa finalidade está processando de 2.000 a 2.500 kg diários de tilápias que resultam em aproximadamente 900 kg de filés (aproximadamente 38% de rendimento), vendidos a R$ 4,00 o quilo aos supermercados. Os filés são embalados em bandejas plásticas cobertas por um filme de PVC com pesos variando de 0,5 e 1 kg, além de uma embalagem prática especial pesando 0,5 kg chamada de “massinho”, onde os filés são embalados e enrolados individualmente uns sobre os outros de forma que possam ser utilizados um a um mesmo estando congelados, para uma melhor conveniência para as donas de casa.

Retirada do couro, que também é comercializado congelado pela empresa Pisces, a R$ 7,00 o quilo
Retirada do couro, que também é comercializado congelado pela empresa Pisces, a R$ 7,00 o quilo
INTEGRAÇÃO

Seguindo o exemplo da Sadia e da Perdigão, empresas instaladas na região que trabalham tradicionalmente com o sistema de integração, Adir Mendes, proprietário da Pisces, passou a adotar o mesmo sistema e hoje tem como integrados 150, dos 250 produtores com quem trabalha. Para isso, a Pisces especializou-se também na produção de alevinos com sexo revertido com hormônio, cuja produção, ao fim desse verão (outubro a maio), deverá alcançar os 5 milhões. No sistema de integração, a Pisces fornece os alevinos e a assistência técnica, assegurando a compra do peixe para o processamento. Para os produtores integrados, o preço do milheiro do alevino revertido custa R$ 20,00 e Adir, numa estratégia para atrair vendas, entrega sempre 10% a mais da quantidade comprada. Existe também, para o produtor, a alternativa de pagar pelos alevinos na forma de peixe gordo. Neste caso, cada milheiro poderá ser trocado por 60 kg de peixes prontos para o abate.

FILÉS E SUBPRODUTOS

Durante o período de engorda, quando os peixes são alimentados com rações, os produtores integrados podem acompanhar o crescimento de suas tilápias através das visitas mensais do técnico da empresa, que faz a biometria e acompanha a curva de crescimento para atualização das taxas de arraçoamento.

Adir Mendes, proprietário da Pisces, mostra bandejas com filés
Adir Mendes, proprietário da Pisces, mostra bandejas com filés

No momento em que desejar, o produtor chama o técnico da Pisces para avaliar o tamanho e o peso médio dos peixes, e combina o preço que receberá pelo quilo, segundo uma tabela que varia de R$ 0,70 a R$ 0,90.

Segundo Sergio Makrakis, gerente de produção da Pisces, estudos realizados junto aos produtores revelaram que o ponto de equilíbrio para o produtor está em R$ 0,57. Portanto, os piscicultores vendendo seu peixe a R$ 0,80 estarão tendo um lucro líquido de 40% em seus negócios.

Na hora da despesca, a Pisces envia seu caminhão, equipamentos de despesca e dois de seus 25 funcionários, sendo preciso apenas que o dono do peixe ofereça a mão-de-obra extra quase sempre necessária. O peixe é trazido vivo para os tanques de depuração (? de 12 a 24 hrs) da empresa até serem levados para as instalações de abate, filetagem, embalagem e congelamento.

A indústria atualmente produz 18 t de filés por mês e pretende fechar o ano filetando o dobro desta quantidade. A produção está sendo escoada para os supermercados dos municípios próximos que os revendem em média a R$ 5,20 ao consumidor final.

Viveiros da empresa com pequenos tanques-rede utilizados para reversão sexual de tilápias
Viveiros da empresa com pequenos tanques-rede utilizados para reversão sexual de tilápias

Além dos filés, as cabeças e carcaças dos peixes são aproveitadas na produção de 4 toneladas mensais de farinha, que são vendidas a R$ 0,23 o quilo. Outro subproduto também comercializado pela Pisces é a pele da tilápia, vendida congelada a R$ 7,00 o quilo, para curtumes de Minas Gerais, São Paulo e no próprio estado.

AQUIOPAR

A Associação dos Aqüicultores do Oeste do Paraná – AQUIOPAR, que reúne os 300 associados das associações de aqüicultores dos municípios de Mal. Cândido Rondom, Missal, Tupãssi, Cascavel, Guaíra e Palotina, inaugurou recentemente as instalações da sua Indústria e Comércio de Pescados e Derivados onde já são processadas diariamente 1.500 kg de tilápias.

Os sócios da AQUIOPAR pagam uma mensalidade que varia de 4 a 20% do salário mínimo vigente que lhe dão direito a uma visita mensal dos técnicos da Associação que fazem biometria, análises de água, além de receberem o apoio na hora da despesca através do caminhão, redes e pessoal da associação.

Instalações de processamento de pescados da AQUIOPAR em Palotina - PR
Instalações de processamento de pescados da AQUIOPAR em Palotina – PR

Atualmente recebem de R$ 0,70 a R$ 0,90 pelo quilo da tilápia vendida à indústria e, segundo, Rosiclei Nori, gerente de beneficiamento, brevemente os preços oferecidos aos produtores sofrerão reajustes.

Os vendedores da associação comercializam os filés nos supermercados de Maringá, Palotina e Cascavel a R$ 4,30 o quilo e, para cozinhas industriais, que exigem uma seleção para padronização de peso dos filés, a R$ 5,00.

MERENDA ESCOLAR

As tilápias abaixo de 400 g não são filetadas como as demais. seguindo para uma linha de processamento onde são congeladas após terem as cabeças, o couro e as vísceras retiradas (porquinho). Este produto é moído resultando num produto que é aproveitado na merenda escolar das escolas municipais. Segundo Rosiclei Nori, a associação promove cursos para as merendeiras das escolas para ensinar as várias maneiras de aproveitar o peixe moído – hambúrguer, tortas, molhos, pasteis, etc.

Rosiclei Nori, gerente de produção da AQUIOPAR, com embalagem de filés de tilápias
Rosiclei Nori, gerente de produção da AQUIOPAR, com embalagem de filés de tilápias