Tilápia: o Mercado de nos EUA

Por: Kevin Fitzsimmons
Vice-Presidente da American Tilapia Association e
Pesquisador da Universidade do Arizona, Tucson, Arizona – USA


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Em 1997, pela primeira vez, o Brasil fez parte dos países que exportaram filés de Tilápia para os EUA, tendo enviado modestos 1.271 Kg. A Panorama da Aqïcultura convidou Kevin Fitzsimmons, vice presidentes da ATA – American Tilapia Assocation, para falar sobre esse mercado,, que no ano passado importou de diversos países ao redor do mundo 24 mil toneladas de tilápias, e que pode em bbreve, ser de grande interesse dos produtores brrasileiros.

Depois da carpa, a tilápia é o segundo peixe comestível mais cultivado ao redor do mundo. Recentemente, tornou-se tão popular no mercado americano que foi necessário aumentar seu volume de importação para abastecer a demanda. As importações cresceram de 3.400 toneladas no segundo semestre de 1992, quando pela primeira vez os dados foram coletados, para 24.400 toneladas, em 1997.Nesse mesmo período, o cultivo de tilápias americano cresceu de 2.300 toneladas para as 8.600 toneladas produzidas hoje. Grande parte dessa produção tem sido comercializada viva nos mercados étnicos das regiões metropolitanas, com pequenas quantidades chegando aos restaurantes e supermercados.

Em 1992, 89% das importações foi de peixe inteiro e congelado. Em 1997, filés frescos e congelados representaram 22% das importações de tilápia, registrando um aumento de 0,4 milhões para 5,3 milhões de kg. O Brasil é um grande produtor de tilápias e o mais novo exportador de filés de tilápia para os EUA. Ano passado, foi registrada pela primeira vez a venda de 1.271 kg de filés de tilápia brasileira fresca.. Em janeiro de 1998, os preços desses filés que chegaram a Miami-Florida, oscilaram entre $ 6.80 e $ 6.95 o kg. Vale ressaltar, que esses preços mantiveram-se elevados mesmo com o aumento de 35% na oferta de filés frescos em 1997. Espera-se que o Brasil, que também consome a maior parte de sua produção, com seus tremendos recursos para a aqüicultura esteja, num futuro próximo, exportando quantidades ainda mais significativas para o mercado americano.

Produção doméstica

Em janeiro de 1998 os preços dos filés que chegavam a Miami na Flórida, oscilavam entre US$ 6.80 e US$ 6.95 o quilo. Vale ressaltar, esses preços mantiveram-se elevados mesmo com o almento de 35% na oferta de fil’s frescos em 1997

A produção de tilápia em todo o mundo cresceu de 855.000 toneladas em 1990 para 1.100.000 toneladas em 1994, e todo esse crescimento pode ser atribuído à indústria da aqüicultura. Muitos biólogos que trabalharam em outros países, se familiarizaram com a tilápia e trouxeram os conhecimentos sobre o manejo do cultivo para os EUA, dando início às primeiras criações comerciais. A produção cresceu lentamente nos anos 80 quando o peixe passou a ser reconhecido pela indústria de pescados. O USDA – Departamento de Agricultura começou então, a realizar estatísticas com a tilápia produzida no país a partir de 1991 (Tabela 1).

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Nos anos 70 e 80, EUA e Canadá receberam muitos imigrantes provenientes de países em desenvolvimento, que trouxeram com eles o gosto pela tilápia e, logo que as primeiras fazendas começaram a produzir o peixe em solo americano essas comunidades étnicas lhes asseguraram um mercado ainda mais lucrativo. Na medida que esses imigrantes foram melhorando seu status econômico e seu poder de compra, os produtores americanos desenvolveram um mercado para as tilápias vivas ao mesmo tempo que iniciaram a agregar mais valor através do processamento. Os mais importantes mercados são os das comunidades chinesas, principalmente nas cidades de Nova Iorque, São Francisco, Los Angeles e Vancouver. Recentemente, porém, Toronto com suas inúmeras comunidades de imigrantes, destacou-se como o maior mercado de tilápia da América do Norte.

Tilápias são transportadas vivas para esses mercados de locais distantes como Idaho e Texas, entretanto, como esses mercados étnicos tendem a ficar saturados, já estão sendo desenvolvidos os mercados de varejo e de serviços de alimentação. Restaurantes e peixarias são os mais tradicionais meios de escoamento para os pescados e a entrada da tilápia nesses canais de comercialização será um meio de apresentar a tilápia para uma base bem maior de consumidores.

Os preços para a tilápia nos EUA estão geralmente associados ao tamanho do peixe despescado. Peixes grandes e maiores que 600 g, obterão um preço premium, os intermediários, de 350 e 600 gramas, um preço menor e, geralmente, os peixes abaixo de 350 gramas não são comercializados como produtos comestíveis.

Os consumidores asiáticos cozinham o peixe inteiro e retiram a carne do esqueleto. Já o consumidor americano, prefere o filé que, na tilápia, representa 33% do peixe inteiro. Apesar da difícil competição com os filés importados e de alta qualidade disponíveis no mercado a US$ 7.00 o kg, os produtores nos EUA estão começando a filetar seus peixes enquanto que o mercado para peixes vivos segue amadurecendo.

Desde 1992 o Departamento de Comércio passou a rastrear as importações de tilápias que, antes disso, era incluída na categoria “outros peixes”. Os resultados de relatórios quadrimestrais e um anual, têm sido útil para identificar a rápida introdução de peixes importados no mercado dos EUA . Relatórios de 1996 e 1997 também incluem os valores declarados de importação e podem ser úteis para se ter uma idéia dos imports nos países de origem.

Para efeito de comparação, os valores de importação são freqüentemente convertidos em LEW (Live Equivalent Weight ou Equivalente em Peso Vivo). Para se obter o LEW, o peso dos filés é multiplicado por 3 e o dos peixes inteiros e congelados por 1,1 (para descontar a desidratação ou ocasionais perdas de líquidos).

Nos EUA, o consumo aparente de tilápia, baseado na produção doméstica estimada e na importação de produtos de tilápias cresceu consistentemente de 8,7 milhões kg LWE em 1992 para 36,9 milhões de kg LWE em 1996. Essa tendência pode ser atribuída a crescente disponibilidade de diferentes produtos de tilápia nos supermercados onde o peixe é oferecido vivo, em filés, inteiros, frescos ou congelados, atendendo às necessidades dos consumidores domésticos e institucionais. Além disso, produtos de tilápias com preços competitivos tem sido importados de diversos países nas formas preferidas dos consumidores.

Uma pesquisa realizada em 1992 revelou que quando as maiores empresas comercializadoras de pescados desejaram expandir e diversificar sua linha de produtos, negociaram a tilápia. Outra, realizada em Nova Iorque e Nova Jersey, revelou que a tilápia foi a principal espécie da aqüicultura comercializada pelas cadeias de varejo de pescados.

Relatórios mostram um consistente aumento também no mercado atacadista de peixes vivos nos estados do Nordeste dos EUA que registrou volumes de 145 toneladas em 1995 e 152 toneladas em 1996. Os preços neste mercado variaram de U$ 4.63/kg nos primeiros meses de 1995 para U$ 3.86 no final do ano. Em 1996 o preço da tilápia viva, toda ela cultivada em fazendas localizada no EUA, permaneceu relativamente estável, ao redor de US$ 4.19 /kg.

Muitas das grandes companhias de alimentos nos EUA adicionaram a tilápia na sua linha de produtos e da forma como tem crescido o seu abastecimento, é possível que a tilápia já esteja substituindo os pescados provenientes da pesca comercial, cuja produção está estática ou caindo, como acontece com pesca do bacalhau, haddock e linguado. Esse declínio, acarreta na queda desses peixes num mercado que tem visto a tilapia, o catfish e o salmão do Atlântico, todos peixes cultivados, rapidamente aumentar suas cotas de participação.

A partir dos dados relativos à importação podemos verificar uma tendência para a adição de valor agregado por parte dos países produtores, através de processamento. Essa tendência deve ainda permanecer, já que muitos dos países produtores terão, em termos competitivos, a vantagem de baixos custos de mão de obra. Além disso, o produto processado tem volume e peso reduzidos o que, consequentemente, barateia o seu transporte. É esperado que a demanda dos consumidores nos EUA cresça ainda mais rapidamente que a produção doméstica de tilápias e, os países tropicais torcem por isso, aumentando sua produção para abastecer esta demanda. Com seus baixos custos de produção, é possível prever que esses produtores manterão o controle dos preços.