Tricodinídeos: quem são e o que eles podem causar nos peixes

No cultivo de peixes, altas densidades de estocagem associadas às altas taxas de arraçoamento, resultam em proporcional aumento na matéria orgânica em suspensão e excretas nitrogenadas na água de cultivo. Fatores ambientais, especialmente a temperatura da água, podem potencializar ou suprimir a dinâmica de reações desencadeadas por estes produtos em excesso no ecossistema aquático. Estes são os requisitos básicos para a proliferação de microorganismos que representam algum tipo de risco sanitário ao sistema de produção de organismos aquáticos. Por isso, devem ser continuamente monitorados para que o piscicultor não seja surpreendido por surtos de enfermidades, que por sua vez podem resultar em apreciáveis perdas econômicas, além de desencadear uma série de problemas operacionais em sua rotina.

Por:
Santiago Benites de Pádua1, [email protected]
Maurício Laterça Martins2, [email protected]
Daniela Nomura Varandas3, [email protected]
José Dias Neto1, [email protected]
Márcia Mayumi Ishikawa4 , [email protected]
Fabiana Pilarski1, [email protected]

1Laboratório de Patologia de Organismos Aquáticos (LAPOA), Centro de Aquicultura da Unesp – CAUNESP.
2Laboratório AQUOS- Sanidade de Organismos Aquáticos, Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC.
3Zootecnista, Mestre em Aquicultura, Nutreco Fri-Ribe.
4Embrapa Agropecuária Oeste, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária


Muita atenção tem sido despendida às doenças bacterianas que acometem os peixes em cultivo. Inclusive, alguns produtores mais informados arriscam no diagnóstico presuntivo de algumas bacterioses, por serem rotineiras em suas criações. Os sinais clínicos dessas doenças são mais evidentes do que a maioria dos sinais clínicos determinados por doenças parasitárias. Além disso, as bacterioses causam maior impacto na população de peixes quando a doença é aguda ou super-aguda, com mortalidade pronunciada. Por outro lado, piscicultores e muitos técnicos despendem pouca atenção em relação às doenças parasitárias, especialmente aquelas determinadas por parasitos microscópicos, onde a utilização de um microscópio ótico no campo torna-se fundamental para o diagnóstico preciso.

Entre estes parasitos, estão os tricodinídeos, protozoários em forma de disco que pertencem ao grupo dos ciliados que parasitam pele, nadadeiras e brânquias dos peixes, embora existam espécies que sejam endoparasitos. Algumas espécies de tricodinídeos estabelecem relações ecológicas com moluscos aquáticos, estágios larvais de anfíbios, além de crustáceos. No Brasil, por muito tempo foi realizado o diagnóstico da tricodiníase indicando apenas o gênero Trichodina sp. como o agente causador da doença. Mas, recentes pesquisas conduzidas no Laboratório de Patologia de Organismos Aquáticos do Centro de Aquicultura da Unesp (CAUNESP), em parceria com o Laboratório AQUOS – Sanidade de Organismos Aquáticos da UFSC e com a Embrapa Agropecuária Oeste, identificaram que os gêneros Tripartiella, Trichodinella e Paratrichodina também estão parasitando peixes no Brasil. No entanto, Trichodina é o gênero dominante e possui maior diversidade de espécies. A figura 1 mostra fotomicrografias destes quatro gêneros.

Figura 1. Fotomicrografia representando o gênero Trichodina (a), Tripartiella (b), Trichodinella (c) e Paratrichodina (d). Impregnação com nitrato de prata 2%
Figura 1. Fotomicrografia representando o gênero Trichodina (a),  Tripartiella (b), Trichodinella (c) e Paratrichodina (d).  Impregnação com nitrato de prata 2%

As principais diferenças morfológicas entre os gêneros de tricodinídeos estão no aparato que compõem o disco adesivo (Figura 2). É por meio deste conjunto de estruturas que estes protozoários causam abrasão sobre os peixes, exibindo rápido movimento rotatório. Além disso, sua identificação correta é baseada principalmente nos caracteres presentes no disco adesivo.

Figura 2. Fotomicrografia de tricodinídeo, impregnado pelo nitrato de prata, indicando o disco adesivo e o anel denticulado, composto por uma série de dentículos
Figura 2. Fotomicrografia de tricodinídeo, impregnado pelo nitrato de prata, indicando o disco adesivo e o anel denticulado, composto por uma série de dentículos
Ciclo de vida dos tricodinídeos

Conhecer o ciclo de vida dos parasitos é de fundamental importância para que sejam estruturadas as medidas de controle para as doenças parasitárias. No caso dos tricodinídeos, é realizado o ciclo direto, ou monoxênico, onde o parasito não precisa de hospedeiros intermediários para que completem seu ciclo. Para isso, esses protozoários dividem-se por fissão binária sobre o próprio peixe (Figura 3). Dessa forma, conseguem formar grandes populações dentro de curto espaço de tempo, sob influência da disponibilidade de alimento e temperatura da água.

Figura 3. Tricodinídeos em estágios de divisão. Em uma primeira etapa pode-se observar a duplicação dos dentículos (a) para posteriormente ocorrer a fissão binária (b)
Figura 3. Tricodinídeos em estágios de divisão. Em uma primeira  etapa pode-se observar a duplicação dos dentículos (a)  para posteriormente ocorrer a fissão binária (b)
Patogênese da tricodiníase

O curso de uma doença parasitária é dependente da relação parasito:hospedeiro que é estabelecida. Muitas parasitoses não são fatais, e os peixes são capazes de tolerar baixos níveis de infestação sem afetar diretamente suas condições de higidez. No entanto, peixes mal nutridos ou que são produzidos em situações de baixa qualidade ambiental e com alta densidade de estocagem são, em geral, mais susceptíveis às doenças. Além disso, vale salientar que algumas espécies de tricodinídeos são consideradas apenas como ectocomensais, ou seja, não causam prejuízo aos peixes. Isso ocorre, pois estes protozoários alimentam-se de bactérias e algas que podem ser facilmente encontradas na superfície dos peixes. Por outro lado, quando o equilíbrio estabelecido entre o ambiente, o hospedeiro e o agente etiológico são rompidos, podemos observar os surtos epizoóticos com a ocorrência de mortalidade.

As espécies de tricodinídeos que parasitam os peixes, além de utilizar bactérias e/ou algas para sua alimentação, podem utilizar também restos de células epiteliais do hospedeiro, adquiridos por meio de sua movimentação vigorosa em círculo, na qual sua face aboral (onde localiza-se o disco adesivo com o anel denticulado), fica em contato com a superfície do peixe. Com essa ação abrasiva, este parasito pode induzir uma resposta inflamatória, que muitas vezes é potencializada com a proliferação de bactérias oportunistas que habitam normalmente a superfície do peixe, compondo a flora microbiana residente destes animais.

As brânquias geralmente são as mais afetadas pelo parasitismo intenso dos tricodinídeos. Em análises histopatológicas, pode-se observar que ocorre proliferação das células epiteliais, associada à migração de células inflamatórias, que pode evoluir para fusão das lamelas secundárias do filamento branquial, e até mesmo à obstrução respiratória. Com isso, os peixes apresentam déficit respiratório e não conseguem realizar com eficiência as trocas gasosas. A figura 4 mostra o tecido branquial íntegro de peixe não parasitado (Figura 4a) em comparação com a brânquia lesionada em função do parasitismo por tricodinídeos (Figura 4b).

Figura 4. Fotomicrografia do tecido branquial em corte histológico mostrando filamentos branquiais e suas lamelas secundárias íntegras (a) e com alterações patológicas, como hiperplasia epitelial, fusão lamelar, infiltrado inflamatório mononuclear e necrose determinadas pelo efeito do parasitismo de tricodinídeos (b). Coloração com HE, aumento de 100x
Figura 4. Fotomicrografia do tecido branquial em corte histológico mostrando filamentos  branquiais e suas lamelas secundárias íntegras (a) e com alterações patológicas, como  hiperplasia epitelial, fusão lamelar, infiltrado inflamatório mononuclear e necrose determinadas pelo efeito do parasitismo de tricodinídeos (b). Coloração com HE, aumento de 100x

A interação entre a ação mecânica dos tricodinídeos em combinação com os produtos de excreção das bactérias (enzimas), leva ao surgimento dos sinais clínicos da doença, que podem ser:

– Letargia, com natação errática e sem vigor;
– Prurido, podendo-se observar peixes raspando o corpo nas telas dos tanques-rede, ou nas bordas dos viveiros;
– Peixes com dificuldade respiratória e aumento na frequência de batimento opercular, podendo buscar água da superfície ou próximo à entrada de água do viveiro escavado;
– Escurecimento da pele, especialmente em pós-larvas e juvenis;
– Corrosão de nadadeiras;
– Perda de escamas facilmente durante o manejo;
– Ulcerações na pele (feridas pelo corpo do peixe), geralmente não hemorrágicas e não circunscritas;
– Alterações na coloração das brânquias, podendo estar congestas (muito avermelhadas) e hemorrágicas na fase aguda da doença, ou até mesmo necróticas (áreas de tecido morto, de coloração clara) na fase crônica da doença.

Estes sinais clínicos não são específicos da tricodiníase, sendo comum a outras doenças parasitárias, especialmente com quilodonelose causada por Chilodonella hexasticha. Como ocorre o envolvimento de bactérias oportunistas nesta enfermidade, geralmente os sinais clínicos são mesclados com sinais clínicos de columnariose causada pela bactéria Flavobacterium columnare, como lesões esbranquiçadas por todo o corpo e necrose branquial, ou estreptococose, causada pelas bactérias Streptococcus agalactiae, S. dysgalactiae e S. iniae, com sinais clínicos neurológicos, principalmente natação descoordenada, vigorosa e em círculos.

Fatalmente, essas bactérias utilizam essas lesões formadas pela ação abrasiva destes protozoários para causar infecção oportunista, com isso, desenvolve-se um quadro de infecção generalizada a qual culmina com a morte dos peixes. Este é o caso da estreptococose em tilápia criada em tanques-rede no Brasil. Fato esse que foi demonstrado através de ensaios laboratoriais realizados nos Estados Unidos, onde os pesquisadores observaram que o bagre-do-canal naturalmente parasitado por Trichodina sp. torna-se susceptível à infecção experimental por Streptococcus iniae e S. agalactiae (Evans et al., 2007). Além de aumentar a susceptibilidade a outras doenças infecciosas, a tricodiníase pode também diminuir o desempenho zootécnico dos peixes, como descrito em estudos realizados por Ekanem e Obiekezie (1996).

Espécies de tricodinídeos que acometem peixes cultivados no Brasil

A diversidade de espécies de tricodinídeos que acometem os peixes destinada à produção industrial ainda é pouco estudada, sendo realizado até o momento o registro de Trichodina campacta (Ghiraldelli et al., 2006), Trichodina magna (Martins e Ghiraldelli, 2008), Tripartiella pseudoplatystomae (Pinto et al., 2009), Trichodina heterodentata (Martins et al., 2010, 2011), Trichodina centrostrigeata (Pádua et al., 2011), Trichodina colisae (Jerônimo et al., 2011) e Paratrichodina africana (Valladão et al., 2011). Resultados preliminares de nossas pesquisas indicam que existe uma fauna de tricodinídeos bem mais diversificada parasitando os peixes no Brasil, inclusive com espécies não conhecidas pela ciência, ainda sob investigação.

A tilápia do Nilo é uma das espécies de peixes que apresenta grande variedade de espécies de tricodinídeos, principalmente em comparação com as espécies de peixes nativas que recebemos para diagnóstico no LAPOA (CAUNESP). Resultados preliminares das pesquisas realizadas a campo têm revelado que estes protozoários constituem-se os principais parasitos que acometem a tilápia em sistema de cultivo super-intensivo, com taxas de prevalência próximas de 100%. A figura 5 contém a taxa de prevalência geral de todos os tricodinídeos, incluindo a prevalência por espécie identificada. Salienta-se que estes resultados são preliminares e que existem espécies ainda sob investigação representadas neste gráfico como Trichodina sp.

Figura 5. Prevalência de tricodinídeos, incluindo as diferentes espécies identificadas, nas tilápias do Nilo cultivadas em tanques-rede no Estado de São Paulo
Figura 5. Prevalência de tricodinídeos, incluindo as diferentes espécies identificadas, nas  tilápias do Nilo cultivadas em tanques-rede no Estado de São Paulo

A interpretação de um laudo parasitológico deve levar em consideração não somente qual espécie de parasito está presente nos animais, mas principalmente qual a quantidade que está parasitando. Em vista disso, estamos padronizando a adoção do escore relativo de parasitismo, no qual ranqueamos os peixes parasitados numa escala que varia de 1 a 4. Nessa escala, peixes que apresentarem escore 1 para determinado parasito indica que o nível de parasitismo está em equilíbrio com o hospedeiro (peixe) e com esta quantidade não causaria prejuízos à saúde, mas o peixe parasitado torna-se um reservatório do agente etiológico. Escores a partir de 2 indicam desequilíbrios na relação parasito:hospedeiro:ambiente, e já podemos observar o início dos primeiros sinais clínicos. Estes sinais são mais evidentes a partir do escore 3, onde geralmente são observados os primeiros casos de morte. Mortalidades maiores são observadas em peixes que exibem escore de parasitismo 4, e geralmente apresentam infestações mistas por outros parasitos, tais como vermes monogenóideos e mesmo Ichthyophthirius multifiliis (Martins et al., 2011), além de infecções oportunistas por bactérias. É importante salientar que mortalidades determinadas por parasitos são, em sua maioria, crônicas e em baixa escala. Curvas de mortalidades pronunciadas são observadas em situações de infecção bacteriana mista. Vale ressaltar também que, dependendo das condições ambientais dos viveiros, assim como das condições de saúde dos peixes parasitados, escore acima de 2 poderia comprometer a criação.

Na figura 6 está ilustrado o escore relativo de parasitismo observado para as diferentes espécies de tricodinídeos que acometem tilápia do Nilo cultivada em tanques-rede no Estado de São Paulo.

Figura 6. Escore relativo de parasitismo (variação de 1 a 4) caracterizando a intensidade de parasitismo por tricodinídeos em tilápia do Nilo cultivada em tanques-rede no Estado de São Paulo
Figura 6. Escore relativo de parasitismo (variação de 1 a 4) caracterizando a intensidade de parasitismo  por tricodinídeos em tilápia do Nilo cultivada em tanques-rede no Estado de São Paulo

Ao associar os resultados de prevalência com o escore relativo de parasitismo, pode-se inferir que por mais que a tilápia do Nilo possa albergar mais de cinco espécies de tricodinídeos, somente três delas têm extrapolado a carga parasitária tolerável pelos peixes sem prejudicar sua saúde, sendo elas: Paratrichodina africana, Trichodina compacta e T. centrostrigeata. Paratrichodina africana em particular, é uma espécie que ficou muito tempo sem diagnóstico. Isso ocorreu, possivelmente, devido ao pequeno tamanho deste protozoário, menor do que as demais espécies de tricodinídeos que acometem a tilápia. A tabela 1 mostra as medidas comparativas do tamanho do corpo dos tricodinídeos que acometem a tilápia do Nilo. Assim, o leitor poderá observar a diferença de tamanho entre esses parasitos.

Tabela 1. Medidas do corpo de diferentes espécies de tricodinídeos que acometem a tilápia do Nilo no Brasil
Tabela 1. Medidas do corpo de diferentes espécies de tricodinídeos  que acometem a tilápia do Nilo no Brasil

Temos observado que alguns tricodinídeos apresentam tropismo por uma determinada parte do corpo do peixe. Por exemplo, P. africana é diagnosticada somente no tecido branquial, não sendo realizados registros deste protozoário sobre a pele e ou nadadeiras. Por outro lado, T. centrostrigeata tem sido diagnosticada tanto sobre a pele, quanto nas brânquias, mas os maiores níveis de infestação são observados no tecido respiratório, especialmente de pós-larvas e juvenis.

Na figura 7 pode-se observar uma tilápia exibindo áreas de necrose branquial, onde foi possível diagnosticar grandes quantidades destas duas espécies de tricodinídeos.

Figura 7. Tilápia do Nilo exibindo necrose branquial devido ao parasitismo por P. africana e T. centrostrigeata, associada a bactérias oportunistas
Figura 7. Tilápia do Nilo exibindo necrose branquial devido ao parasitismo por P. africana e T. centrostrigeata,  associada a bactérias oportunistas

Outras espécies de tricodinídeos possuem tropismo pelo tegumento e nadadeiras. Por mais que essas mesmas espécies sejam observadas no tecido respiratório, os maiores níveis de infestação geralmente são diagnosticados sobre a pele e nadadeiras dos peixes. Entre estas espécies, destacam-se T. compacta, T. magna e T. heterodentata para a tilápia do Nilo. Na figura 8 está ilustrada uma tilápia exibindo corrosão de nadadeiras, despigmentação da pele, perda de escamas e ulceração não hemorrágica sobre a pele, sendo esses sinais clínicos associados a elevados níveis de infestação por estes tricodinídeos, possivelmente associados também à infecção secundária por agentes bacterianos.

Figura 8. Tilápia do Nilo exibindo corrosão de nadadeiras, despigmentação da pele, perda de escamas e ulceração não hemorrágica sobre a pele associadas a altos níveis de infestação por T. compacta, T. magna e T. heterodentata
Figura 8. Tilápia do Nilo exibindo corrosão de nadadeiras,  despigmentação da pele, perda de escamas e ulceração  não hemorrágica sobre a pele associadas a altos níveis  de infestação por T. compacta, T. magna e T. heterodentata
Tratamento da tricodiníase

Este tópico pode ser de grande expectativa para muitos produtores acostumados com as receitas veterinárias que são prescritas para os animais terrestres. No entanto, o piscicultor precisa ter a consciência de que tratar peixes é tratar toda uma população, inclusive seu ambiente de criação que é infinitamente complexo e dinâmico. No início deste artigo, informamos que a proliferação desses parasitos está relacionada com condições inadequadas de cultivo, logo, qualquer produto medicamentoso que seja incorporado na água atuará como mais um poluente, podendo tornar-se mais tóxico com a presença de matéria orgânica em suspensão e, fatalmente, poderá matar mais peixes do que o próprio parasito em questão.

A melhor receita que indicamos para os piscicultores é a utilização das Boas Práticas de Manejo Sanitário em sua propriedade. Este tema já vem sendo discutido durante os últimos quatro anos em cursos de extensão promovidos pelo CAUNESP com o apoio da EMBRAPA, além de outras empresas privadas que atuam no segmento da aquicultura. Basicamente, é necessário diminuir a matéria orgânica em suspensão no sistema de criação, que pode ser realizada das seguintes formas:

– Diminuir a densidade de estocagem, que por sua vez diminui a liberação de excretas nitrogenadas e matéria orgânica em suspensão associadas às fezes. Com essa medida, diminuímos também a transmissão horizontal da doença (transmissão que ocorre pelo contato direto de peixe a peixe), que é favorecida quando ocorre o adensamento populacional;
– Utilizar rações eficientes, com adequados valores de conversão alimentar e com inclusão da enzima fitase. Com isso, os peixes defecam menos e ocorre melhoria na absorção do fósforo, que por sua vez é um importante poluente do meio aquático;
– Recolher diariamente, de preferência várias vezes ao dia, peixes que eventualmente morram no sistema de criação. Estes animais em decomposição servem de foco para disseminação da doença, além de poluírem a água de criação.

Existem outras medidas passíveis de serem aplicadas, mas estas três que foram listadas neste primeiro momento são as principais. Para que sejam utilizados outros procedimentos adicionais, cada propriedade deve ser estudada em particular e não de forma generalizada.

É importante salientarmos que, com a adoção dessas medidas, o piscicultor não erradicará a tricodiníase do seu plantel de peixes, mas sim manterá a infestação dentro de uma faixa de controle, com níveis basais de intensidade de parasitismo (escore 1) que não é prejudicial à saúde dos peixes. Portanto, os produtores precisarão aprender a conviver de forma harmoniosa com esses parasitos.

Aliado a essas medidas, deve-se realizar o monitoramento constante das condições de saúde dos peixes em um programa sanitário, com análises de diagnóstico quinzenais ou mensais. Dessa forma, o piscicultor poderá se antecipar a possíveis problemas de ordem sanitários que podem emergir em seu sistema de criação.


Agradecimentos
Os autores agradecem ao Projeto Aquabrasil/Embrapa pelo apoio financeiro, à Fapesp (Processo nº: 10/14490-1) pela bolsa de mestrado concedida a S.B. Pádua, ao CNPq pela bolsa de mestrado concedida a J. Dias-Neto e pelo auxílio a M.L. Martins (Processo n.º: 577657/2008-9) e Rações Fri-Ribe pelo suporte nas coletas a campo.


Referências Bibliográficas:

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Evans, J.J.; Klesius, P.H.; Pasnik, D.J.; Shoemaker,
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Ghiraldelli, L.; Martins, M.L.; Adamante, W.B.;
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Jerônimo, G.T.; Marchiori, N.C.; Tamporoski,
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