Vacinação desacelera a dispersão da lactococose e reduz a circulação do patógeno no Brasil

A lactococose é a mais nova doença que emergiu na tilapicultura brasileira nos últimos 18 meses, na qual Lactococcus petauri ST24 (“sequencetype” 24) têm sido a principal linhagem bacteriana associada a importantes surtos diagnosticados no Centro-Oeste, Nordeste e, mais recentemente, no Sudeste brasileiro. Essa enfermidade apresenta sinais clínicos bastante similares às estreptococoses, sendo possível realizar a diferenciação destes diferentes patógenos somente por meio de técnicas de diagnóstico laboratoriais padronizadas para estes agentes.

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Desde o início da emergência desta doença, o time Vaxxinova, juntamente com a parceria estabelecida com o laboratório AQUAVET/UFMG, têm realizado a vigilância epidemiológica em fazendas de criação de tilápias por todo o Brasil, possibilitando o diagnóstico preciso deste patógeno e sua tipificação genética, monitorando em tempo real a dispersão da doença.

Em levantamento desta base de dados de diagnóstico, observamos que houve uma mudança expressiva do cenário epidemiológico de enfermidades nas regiões em que houve a dispersão da lactococose, na qual Lactococcus petauri tornou-se o patógeno dominante. Observamos isto na frequência de isolamento de bactérias Gram-positivas, que reúnem diferentes espécies e sorotipos de Streptococcus, bem como Lactococcus petauri, como apresentado no comparativo dos verões dos anos 2020/21 e 2021/22 em tilapiculturas do Nordeste brasileiro (Figura 1), na qual foram analisados 764 animais moribundos, compreendendo 27 pisciculturas acompanhadas no período.

Figura 1. Perfil de isolamento de bactérias Gram-positivas em tilápias moribundas, coletadas em pisciculturas do Nordeste brasileiro no verão 2020/21 e 2021/22 com resultados de acompanhamento em 27 fazendas, evidenciando a predominância de Lactococcus petauri no perfil de isolamento de patógenos no último verão.

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A partir dessa mudança no cenário sanitário, rapidamente o time de Pesquisa & Desenvolvimento da Vaxxinova Brasil concentrou esforços na reprodução da infecção experimental deste patógeno em tilápias saudáveis, de forma a confirmar sua patogenicidade em condições controladas. Além disso, foram padronizados os protocolos de produção industrial dos antígenos bacterianos destinados para formulação de vacinas, que, por sua vez, foram incorporados na plataforma de vacinas autógenas injetáveis Govaxx®, sendo então conduzidos os estudos clínicos em tilápias para determinar a segurança e a eficácia destas novas formulações de vacinas customizadas. Somente após estes estudos, a nova formulação de vacina passou a ser disponibilizada aos clientes Vaxxinova.

Inicialmente, as pisciculturas do Nordeste brasileiro foram as primeiras a implementarem o processo de vacinação contra a lactococose. No entanto, atualmente, fazendas de criação de todo o Brasil têm aderido cada vez mais aos programas de vacinação customizadas com vacinas Govaxx®,conforme o diagnóstico de doenças, especialmente impulsionada pela dispersão da lactococose, além da presença da franciselose e estreptococoses. Dessa forma, passamos a entregar soluções de imunoprofilaxia específicas, seguras e altamente efetivas para o controle dessas doenças que impactam a criação de tilápias. A partir da vigilância epidemiológica que mantemos nas pisciculturas assistidas pela equipe Vaxxinova, observamos a redução progressiva na frequência de isolamento de L. petauri conforme as vacinações contra essa doença avançaram pelo Brasil (Figura 2). Além disso, é possível observar uma desaceleração da dispersão deste patógeno, uma vez que o número de novas fazendas positivas para lactococose no período de out/22 a fev/23 cresceu em menor escala quando comparado ao período pré-vacinação, bem como nos primeiros meses do início das vacinações contra lactococose.

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Figura 2. Evolução da dispersão da lactococose em tilapiculturas pelo Brasil, incluindo a frequência de isolamento mensal do patógeno nas fazendas monitoradas.

Estes resultados mostram claramente como o uso de vacinas autógenas desempenha papel crucial no gerenciamento de doenças emergentes na criação animal, tornando-se uma ferramenta essencial para obter respostas ágeis na imunoprofilaxia contra patógenos que ainda não contam com vacinas licenciadas. A partir dessas soluções customizadas, podemos realizar o controle efetivo de enfermidades emergentes, minimizando o impacto econômico ocasionado, bem como o impacto ambiental atrelado à perda e descarte de animais, além de reduzir a demanda por fármacos antibióticos. Além disso, a implantação de programas de vacinação contribui ainda na promoção de bem-estar animal superior, impactando positivamente na qualidade da proteína animal produzida, proporcionando ainda mais segurança ao consumidor de pescado.